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13/07/2020

Angústia - Sonia Salim






O desamor me angustia
as incertezas roem a minha alma
como ratos em seus ninhos
fazem com os trapos
Logo agora que a esperança
surgia feito algo tangível
fui abandonado
com o coração ferido
Ah, como eu odiava!
Era uma golfada de ciúmes
que lambuzava o meu interior
ciúme da mulher, ciúme do homem
que desavergonhados se amavam
ambos descarados, felizes, com riso exposto
Prendo-me ao silêncio
Um silêncio temeroso que sufoca
e impulsiona-me para o beco da solidão
Escuro, frio, delgado, lúgubre
Assim era o meu mundo
longe daquele cruel e infiel amor
O vício me consumia lentamente
A insônia era a minha companheira, noite após noite
O livro e a imaginação eram os melhores afagos
dentro do peito lacerado pela vida
ali onde a morte faz a ronda
Nas madrugadas frias e sombrias
rompeu o fio da ilusão





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“Os vagabundos não tinham confiança em mim. Sentavam-se, como eu, em caixões de querosene, encostavam-se ao balcão úmido e sujo, bebiam cachaça. Mas estavam longe. As minhas palavras não tinham para eles significação. Eu queria dizer qualquer coisa, dar a entender que também era vagabundo, que tinha andado sem descanso, dormido nos bancos dos passeios, curtido fome. Não me tomariam a sério. Viam um sujeito de modos corretos, pálido, tossindo por causa da chuva que lhe havia molhado a roupa. A luz do candeeiro de petróleo oscilava no balcão gorduroso. Homens de camisa de meia exibiam músculos enormes, que me envergonhavam. Encolhia-me timidamente. Não simpatizavam comigo. Eu estava ali como um repórter, colhendo impressões. Nenhuma simpatia. A literatura nos afastou: o que sei deles foi visto nos livros.”  (Angústia - Graciliano Ramos)

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18/02/2018

O sádico







Ladrão de ilusões
Eu queria viver de prazeres
Desejos realizados
E veio a angústia sobre mim
Desta que eu já havia me livrado
Eu planejei viver assim
displicente, inocente
alheia à verdade
descompromissada
escondida em mim
Ocultando os sintomas
livre de análises
Mas você citou a morte, a temerosa
Como certeza e realidade
Eu estou viva, transparente
E você quer remover tudo
Revirar meu passado
Fazer-me presente
Projetar o meu futuro
Eu pensei ser feliz
De repente, um riso irônico
Você traz a corda da angústia
Faz-me equilibrar sobre ela
Como parte da vida
Sádico


18/09/17





04/11/2016

Um fio de vida




Sinto-me como se não houvesse o amanhã
angustiada, alienada, sem chão
Olho ao redor, só vejo escuridão
O próximo passo é o abismo
buraco negro, extenso, sem fundo
todas as emoções convergem para as dores
imensas, intensas
Este é o pano de fundo
embora haja pontos de luz no horizonte
alguns indecifráveis, inatingíveis
A vida por um fio
uma gota na imensidão
quase morte, tudo ou nada
Uma mão se estende, o amigo
a salvação, o sabor, a luz
dissipam-se as trevas
surge a esperança
eu estou aqui... ainda há vida

Sonia Salim

19/09/16

02/02/2013

Espera angustiante





    Hugo Feijó Fº

Onde te escondes que não consigo te encontrar?
Somente o destino poderá interferir sobre o amor 
Esperar é angustiante, não dá mais para aguentar 
Deixa minha vida sem sentido, vai perdendo a cor

E além disso, não basta a dor que estou sentindo?
Por mais que eu corra atrás, o futuro está traçado
É tudo verdade, não há razão para estar mentindo
Tampouco vou desistir, terminar como fracassado

Se tudo está marcado, não vou cair no desespero
Quis a vida escolher o melhor para o meu coração
E no momento certo, entrego-me de corpo inteiro 
Só não me deixe aguardando tanto tempo em vão

Não depende mais de mim tentar mudar o destino
E sofrer antes da hora só me fará perder a cabeça
De nada vai adiantar me descabelar e perder o tino
Tudo nesta vida tem hora exata para que aconteça

Minha arma é o amor e sempre estará engatilhada
Não há outra coisa a fazer, só preciso me entregar 
Se o coração disparar, é sinal para baixar a guarda
Libertará duas almas sedentas por ser feliz e amar 




09/01/2013

Resistência e Liberdade



Viva, menina, essa tristeza
Porque com toda a certeza
Quem a magoou não mereceu
Uma partícula de suas lágrimas

Viva, menina, cada minuto
E não volte mais a esses momentos
De angústia, dor e depressão

Viva, menina, com toda a intensidade
Porque na verdade
Farão belos os seus novos dias

Porque o amor não faz chorar
O amor faz vivenciar alegrias
Viva, menina, e resista!
Para libertar-se!

Sonia Salim



imagem 

 

03/07/2012

Um Simples Adeus


    Hugo Feijó Fº

Sinto-me arrasado
Como um trapo velho jogado num canto
Sinto-me frustrado
Tentando, em vão, enxugar o meu pranto

Sinto-me angustiado
Caminhando sem rumo pelas estradas da vida
Sinto-me acorrentado
Tentando fugir do passado, sem despedida

Sinto-me amordaçado
Sem poder gritar, sufocado em pensamentos
Sinto-me amargurado
Arrastado pela correnteza dos sentimentos

Sinto-me infeliz
Por medo de te perder, debrucei-me nas asas da ilusão
Sinto-me um aprendiz
Na escola da vida, passei a ouvir a voz do coração

Amor ingrato, desatou todos os laços
Mostrou as garras, foi saindo sem apego
Partiu, deixando meu coração em pedaços
Virou minha vida do avesso, causou desassossego

Ainda hoje a dor no peito é tremenda 
Fez da minha vida um grande tormento
Nossa história de amor agora é lenda
Migalhas de um amor lançadas ao vento

Vejo-me sofrendo, incapaz de lutar, abatido
Diante da dor imensa, a vida perdeu o encanto
Choro aos prantos a perda de um amor bandido
Amargurado, ninguém para enxugar meu pranto

Desesperado, procuro por alguém nas madrugadas
Iludido por uma louca e alucinante paixão
Como pássaros feridos, de asas quebradas 
Fragilizado, busco forças para suportar a solidão

Hoje só me resta a dor de uma enorme saudade
Um vazio imenso envolve todo o meu ser
Sei que é hora de encarar de frente a realidade 
Um caso de amor fortuito, que deixei transparecer 

A paz da oração da manhã mais uma vez me invade
O silêncio reina supremo dentro do meu coração
Das promessas não cumpridas, quanta falsidade 
Certo de que nada do que fazemos acontece em vão

Ondas acariciam a superfície do lago, movidas pela brisa
Sob a lua cheia, éramos como dois pombinhos apaixonados 
Planos desfeitos, como uma ferida aberta que não cicatriza
Sonhos deixados para trás, caminhos não trilhados...



22/04/2012

Subsolo


Por @soniasalim

As pétalas caem
Ficam os espinhos
Não há verde
Nem flores
Amores
Fidelidade
Nada
Só o homem
No subsolo
Lugares úmidos
Máscaras caídas
Destruídas
Porém
Continuava
Inerte
Refletindo
Olhos opacos
Tristes
Cinzentos
Questionamentos
O moviam
Para o clarão
Horizonte
Desafios