Hugo Feijó Fº
Sinto-me arrasado
Como um trapo velho jogado num canto
Sinto-me frustrado
Tentando, em vão, enxugar o meu pranto
Sinto-me angustiado
Caminhando sem rumo pelas estradas da vida
Sinto-me acorrentado
Tentando fugir do passado, sem despedida
Sinto-me amordaçado
Sem poder gritar, sufocado em pensamentos
Sinto-me amargurado
Arrastado pela correnteza dos sentimentos
Sinto-me infeliz
Por medo de te perder, debrucei-me nas asas da ilusão
Sinto-me um aprendiz
Na escola da vida, passei a ouvir a voz do coração
Amor ingrato, desatou todos os laços
Mostrou as garras, foi saindo sem apego
Partiu, deixando meu coração em pedaços
Virou minha vida do avesso, causou desassossego
Ainda hoje a dor no peito é tremenda
Fez da minha vida um grande tormento
Nossa história de amor agora é lenda
Migalhas de um amor lançadas ao vento
Vejo-me sofrendo, incapaz de lutar, abatido
Diante da dor imensa, a vida perdeu o encanto
Choro aos prantos a perda de um amor bandido
Amargurado, ninguém para enxugar meu pranto
Desesperado, procuro por alguém nas madrugadas
Iludido por uma louca e alucinante paixão
Como pássaros feridos, de asas quebradas
Fragilizado, busco forças para suportar a solidão
Hoje só me resta a dor de uma enorme saudade
Um vazio imenso envolve todo o meu ser
Sei que é hora de encarar de frente a realidade
Um caso de amor fortuito, que deixei transparecer
A paz da oração da manhã mais uma vez me invade
O silêncio reina supremo dentro do meu coração
Das promessas não cumpridas, quanta falsidade
Certo de que nada do que fazemos acontece em vão
Ondas acariciam a superfície do lago, movidas pela brisa
Sob a lua cheia, éramos como dois pombinhos apaixonados
Planos desfeitos, como uma ferida aberta que não cicatriza
Sonhos deixados para trás, caminhos não trilhados...