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03/07/2012

Um Simples Adeus


    Hugo Feijó Fº

Sinto-me arrasado
Como um trapo velho jogado num canto
Sinto-me frustrado
Tentando, em vão, enxugar o meu pranto

Sinto-me angustiado
Caminhando sem rumo pelas estradas da vida
Sinto-me acorrentado
Tentando fugir do passado, sem despedida

Sinto-me amordaçado
Sem poder gritar, sufocado em pensamentos
Sinto-me amargurado
Arrastado pela correnteza dos sentimentos

Sinto-me infeliz
Por medo de te perder, debrucei-me nas asas da ilusão
Sinto-me um aprendiz
Na escola da vida, passei a ouvir a voz do coração

Amor ingrato, desatou todos os laços
Mostrou as garras, foi saindo sem apego
Partiu, deixando meu coração em pedaços
Virou minha vida do avesso, causou desassossego

Ainda hoje a dor no peito é tremenda 
Fez da minha vida um grande tormento
Nossa história de amor agora é lenda
Migalhas de um amor lançadas ao vento

Vejo-me sofrendo, incapaz de lutar, abatido
Diante da dor imensa, a vida perdeu o encanto
Choro aos prantos a perda de um amor bandido
Amargurado, ninguém para enxugar meu pranto

Desesperado, procuro por alguém nas madrugadas
Iludido por uma louca e alucinante paixão
Como pássaros feridos, de asas quebradas 
Fragilizado, busco forças para suportar a solidão

Hoje só me resta a dor de uma enorme saudade
Um vazio imenso envolve todo o meu ser
Sei que é hora de encarar de frente a realidade 
Um caso de amor fortuito, que deixei transparecer 

A paz da oração da manhã mais uma vez me invade
O silêncio reina supremo dentro do meu coração
Das promessas não cumpridas, quanta falsidade 
Certo de que nada do que fazemos acontece em vão

Ondas acariciam a superfície do lago, movidas pela brisa
Sob a lua cheia, éramos como dois pombinhos apaixonados 
Planos desfeitos, como uma ferida aberta que não cicatriza
Sonhos deixados para trás, caminhos não trilhados...



16/06/2012

Porto da Felicidade

         


Velejando num barquinho, nesse imenso mar da vida
Coração transbordando de amor e de saudade
Em meio às intempéries, busco guarida
Na esperança de encontrar o lindo porto da felicidade

Tarde de verão, céu aberto, sol a pino
Amor, de mim, desejado e tão distante
Na imensidão do mar, leve desatino
maresia me traz, teu pensamento constante

Sinto a leve e refrescante brisa do mar
Ondas espumantes, num vai e vem
Beijando as areias da praia, formando laços
Sem querer, vai apagando o nome de alguém
Caprichosamente escrito com finos traços

Já não há mais sol, surge a lua em grande porte
Na escuridão do mar, vejo refletir meus pensamentos
À beira do desespero, resignado à própria sorte...
Mas o sussurro do mar, no silêncio da noite
Traz à tona, lembranças de nossos momentos...

Hugo Feijo Filho



30/04/2012

Infância

Imagem de arquivo da família Ferreira Bastos

Por @soniasalim  

Ainda consigo ouvir
O barulho das águas
Límpidas
A correr mansamente
E suscita lembranças
Soltas
De um passado feliz
Infâncias entrelaçadas
Ingenuidades
Remotas lembranças
Sítios, fazendas, terras
Pomares
Cheiro de frutas maduras
Risos, traquinagens
Levezas
Fogão a lenha, estalos
Do fogo em gravetos
Cheiros
Vindos da cozinha
Comida simples, caseira
Sabores
Saudades no tempo
Escorrido pelos rios
Em correntezas