Poema inspirado no livro de Thomas Mann - A
Morte em Veneza
O
cólera passeava silenciosamente entre as gôndolas
Navegava
nos estreitos canais da bela Veneza
O
escritor solitário ouviu os rumores
que
corriam em segredo nos bastidores
A
admiração e o encanto pelo belo
neutralizou
o medo, impediu a fuga
O
velho corpo sucumbia, o espírito animava
Enorme
contradição
Enquanto
um vento quente e seco soprava do mar
o
suor escorria pelas têmporas
causando
náuseas, mal-estar
Entretanto
o belo era um forte feitiço
que
movia o coração e mantinha a vida
A
urgência era sorver a juventude de uma só vez
algo
novo, bonito e saudável
admirar
o frescor da manhã
A
morte à espreita apressava
a
vida dentro do peito não usa disfarce
o
tempo impaciente não faz acordo
é
agora ou nunca mais
os
pés na água salgada do mar
o
silêncio, os olhares
a
falta, a despedida
e
o último suspiro
Leitura através do Clube de Leitura Icaraí


