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18/06/2020

O escritor solitário - Sonia Salim




Poema inspirado no livro de Thomas Mann - A Morte em Veneza 




O cólera passeava silenciosamente entre as gôndolas
Navegava nos estreitos canais da bela Veneza
O escritor solitário ouviu os rumores
que corriam em segredo nos bastidores
A admiração e o encanto pelo belo
neutralizou o medo, impediu a fuga
O velho corpo sucumbia, o espírito animava
Enorme contradição
Enquanto um vento quente e seco soprava do mar
o suor escorria pelas têmporas
causando náuseas, mal-estar
Entretanto o belo era um forte feitiço
que movia o coração e mantinha a vida
A urgência era sorver a juventude de uma só vez
algo novo, bonito e saudável
admirar o frescor da manhã
A morte à espreita apressava
a vida dentro do peito não usa disfarce
o tempo impaciente não faz acordo
é agora ou nunca mais
os pés na água salgada do mar
o silêncio, os olhares
a falta, a despedida
e o último suspiro



Leitura através do Clube de Leitura Icaraí 



26/01/2013

Solitário Pescador



Jogue a rede pescador
Porque a vida é feita de amor
Não há mais peixes nos rios
Que saciem a nossa fome
Porque o bicho homem
É feito de dissabor

Jogue a rede pescador
Hoje é dia de pescar
Almas famintas
Sedentas

Jogue, mais uma vez...
A rede silenciada
Antes repleta, completa
Hoje um vazio enorme

Não desista, jogue a rede
Abasteça o seu pranto
De migalhas dos poderosos
Só eles afanam todo
O seu trabalho secular

Jogue a rede
insista
viva

Sonia Salim

............................................



Imagem: PESCADOR

Marcus Cabaleiro
Fotógrafo
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SKYPE: marcuscabaleiro


23/09/2012

SOB O SOL


Nas árvores os pássaros cantam

é hora de caminhar

O sol aguarda-me imponente

Ansiosa sairei ao seu encontro

Um diálogo particular...

Ostensivamente ele pode reinar

E o meu existir ignorar

Sofrida e cruel desilusão

de quem precisa dele para viver

aquecer o  amanhecer

E fazer a vida acontecer

Sendo eu fraco vento ao léu

Que posso dizer ao sol do céu?

Eu sou andarilho, na vida sozinho.

Eu sou solitário passarinho

Querendo o sol, ao céu voar!

Ponho-me então a caminhar

Sempre solitário de alma doente...

Sonho dores quando o sol poente

Abandona-me à triste sorte!

Para onde vou sem ti, se és meu 
norte?


Amilcar Bernardi 
                                  e 
                                                           Sonia Salim
  
Imagem de internet