O
gatinho no telhado, perdido, procurava sua presa que não aparecia. Quando já
estava por desistir, olhou para o lado e viu tremenda gata.
Os
olhinhos cruzaram e ambos no mesmo instante encostaram os pelos para aquecer um
ao outro. Gatinha manhosa tornou-se presa.
Presa
pelas manhas, ternura e calor do forte gato, a manhosa gatinha apaixonou-se sem
perceber que estava sendo enganada em noite sombria.
Pobre
gatinha... Tão delicada... Foi arranhada no coração pelo superficial parceiro
que só queria uma noite intensa, mas efêmera.
Abandonada,
coração ferido, em busca de forças, saiu para dar novos passos, afiou as
garras, lambeu seus belos pelos brancos. Miaaaau!
A
gatinha manhosa transformou-se, aprendeu a jogar e tirar lições da vida ao
atrair os gatos, com a sua perspicácia, para as noites sob o luar.
E
ali, a gatinha recitava os mais lindos poemas que soavam como arranhão no coração
dos gatos fanfarrões.
E
constrangidos pela beleza da lua, aprenderam a não brincar mais com os
sentimentos das gatinhas manhosas.
Sonia
Salim
*Imagem:
Daniel Alves
