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05/10/2012

O Avesso do Poeta

Os amantes – 1928  René Magritte
                       

        Sonia Salim

Dentro dele tem um mundo multicolorido
Sorrisos, lampejos, adereços e sabores
Aqui fora paira uma nuvem cinzenta
Impulsionando a imaginação
Por que chora o poeta?
Eu sei de seu avesso
Travesso
Por que parece ter assim um coração triste?
Mas no seu interior um amor persiste
Deixa sutileza vazar nos olhares
Ares que exalam dúvidas
Por que o poeta falseia?
O interior sombreia
Pranteia
Temos as impressões das mais variadas
Muitas indagações surpreendentes
Por que fazer tantos rodeios?
Conter os nossos anseios
Causar-nos ausências
Divergências
Como será o interior da vida desse poeta?
Ele quer parecer intenso e sensato
Embora conheçamos outro fato
Quer induzir-nos com tato
Crença impossível
A mim, nunca!
Insensato


07/09/2010

Insensatez














Chegou mansamente
Começou assim...
Abriu coração
Aceitou amizade
Acertou afinidades
Deitou no colo
Afaguei
Dormiu mansamente
E ao acordar
Perguntou: Onde estou?
Não reconheceu
Espaço físico
Coração sensato
Mão amiga
Chorei
Irreconhecível saiu
Sem dizer adeus
Espaço vazio
Insensatez
E agora?
Cruel indecisão
De linda presença
Incompreensão
Indiferença
Ingratidão
Mal-entendido
Indagou coração sensível
Estúpida solidão
De sua mão
Na contramão
Em vão
E deliberadamente
Virou um adeus


Autor: Sonia Salim